Paraíba: o estado onde o sol nasce primeiro (e isso é só o começo)
Tem lugar que você acha que conhece e, na primeira virada de esquina, percebe que estava errado o tempo todo. A Paraíba é desse tipo. Aqui o dia começa antes de qualquer outro canto das Américas, a capital já teve quatro nomes diferentes e uma cidadezinha de cinco mil habitantes virou cenário de mais de 50 filmes.
Se você quer fugir do roteiro genérico e entender o que fazer na Paraíba de verdade, vem com a gente. 🌅
Uma capital com quatro nomes (e um pedaço holandês na história)
João Pessoa foi fundada em 5 de agosto de 1585, às margens do Rio Sanhauá. É a terceira cidade mais antiga do Brasil que ainda existe. E poucos sabem: ela trocou de nome várias vezes ao longo dos séculos.
- Nossa Senhora das Neves (1585), o nome de batismo;
- Filipéia de Nossa Senhora das Neves (1588);
- Frederica (1634–1654), durante os cerca de 20 anos de domínio holandês, em homenagem a Frederico Henrique de Nassau;
- Parahyba, depois da expulsão dos holandeses;
- João Pessoa (1930), o nome atual.
Ou seja: por duas décadas, a capital paraibana foi praticamente uma cidade dos Países Baixos no meio do Nordeste. Um detalhe e tanto pra contar no caminho.
O barroco tropical com frutas entalhadas
No Centro Histórico está o Conjunto Franciscano, com a Igreja de São Francisco. O convento foi fundado em 1589, a igreja consagrada em 1734 e as obras só terminaram em 1788 — quase 200 anos de construção.
É considerado o maior monumento barroco da América Latina, apelidado de "barroco tropical" justamente porque tem frutas tropicais entalhadas nos detalhes. Foi tombado pelo IPHAN em 1952. Vale cada minuto de visita.
Ponta do Seixas: onde o sol nasce primeiro nas Américas
A cerca de 14 km do centro de João Pessoa fica a Ponta do Seixas, o ponto mais oriental do continente americano. Foi oficializado em 1941 por uma comissão da Marinha e fica uns 1.683 metros a leste da Ponta de Pedras, em Pernambuco.
Pertinho dali está o Farol de Cabo Branco (1972), com formato triangular único no Brasil. É o lugar perfeito pra dizer, com toda razão, que você viu o sol nascer antes de todo mundo.
Mistérios milenares na Pedra do Ingá
No município de Ingá existe um paredão de gnaisse de uns 50 metros coberto por cerca de 400 gravuras rupestres, estimadas em 5 a 7 mil anos. O significado segue desconhecido — há até hipóteses de astronomia pré-histórica.
O nome técnico é "Itacoatiaras", do tupi itá (pedra) + kûatiara (riscada): pedra riscada. Foi tombada como Monumento Nacional em 1944. Ficar diante dela é encarar um enigma que ninguém decifrou.
Cabaceiras: a Roliúde Nordestina
No Cariri paraibano, a pequena Cabaceiras (cerca de 5 mil habitantes) tem o menor índice de chuva do Brasil — algo em torno de 300 mm por ano. Resultado: céu limpo e luz natural quase o ano todo, um sonho pra quem filma.
Por isso ela virou cenário de mais de 50 produções audiovisuais, entre elas "O Auto da Compadecida" (2000) e "Cinema, Aspirinas e Urubus". Tem até um letreiro estilo Hollywood, inaugurado em 2007. Apelido oficial: Roliúde Nordestina.
Por ali ainda dá pra conhecer o Lajedo de Pai Mateus, um impressionante "mar de pedras" feito de matacões arredondados, parte do Geoparque Cariri Paraibano — quase 2 mil km² de geoturismo na Caatinga.
Berço do cordel e celeiro de músicos
A Paraíba é o berço da literatura de cordel. Leandro Gomes de Barros, nascido em Pombal em 1865, foi o primeiro grande autor brasileiro do gênero — que virou Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2018.
E a lista de músicos é de tirar o chapéu: Jackson do Pandeiro, o "Rei do Ritmo" (sua obra foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial da Paraíba em 2025), o acordeonista Sivuca e Zé Ramalho, que começou justamente no cordel.
Quem curte arquitetura não pode perder a Estação Cabo Branco, projeto de Oscar Niemeyer inaugurado em 2008: mais de 8.500 m², torre-mirante hexagonal e entrada gratuita. João Pessoa também tem uma cena de cinema ativa, com mostras e festivais que movimentam a cultura local ao longo do ano.
Da cana-de-açúcar às startups
A economia paraibana passou por vários ciclos: cana-de-açúcar na base colonial, depois o algodão mocó do Sertão, o sisal nos anos 1950–60 e, a partir dos anos 1980, a indústria têxtil e coureiro-calçadista.
Hoje couro e calçados lideram as exportações industriais do estado, e a indústria de transformação cresceu 6,5% em 2022 — a maior do Nordeste. Tem mais: as empresas de TI em João Pessoa saltaram de 227 (2015) para 874 (2024), uma alta de cerca de 385%. Tradição e tecnologia lado a lado.
Praias, piscinas naturais e falésias coloridas na Paraíba
O litoral paraibano tem cenários que parecem cenográficos:
- Areia Vermelha (Cabedelo): um banco de areia que emerge na maré baixa, formando piscinas naturais que só aparecem nas marés mais baixas;
- Picãozinho (João Pessoa): piscinas naturais a cerca de 2,5 km da costa, acessíveis na maré baixa;
- Coqueirinho (litoral sul, a uns 35 km da capital): falésias coloridas, formações rochosas e mata preservada;
- Tambaba: praia naturista famosa, com trilhas e vegetação preservada;
- Tabatinga: mais um trecho lindo do Conde.
Pra curtir as piscinas naturais, mire na véspera e até 3 dias depois da lua cheia ou nova. A estação seca no litoral vai mais ou menos de setembro a fevereiro. E, claro, peixes e frutos do mar fresquinhos combinam demais com esse roteiro.
Onde ficar sem gastar muito na Paraíba
Roteiro tão variado pede uma boa base — e dá pra economizar nas hospedagens pra sobrar mais pro passeio. A Chesago é um clube de hospedagem por assinatura: você paga a mensalidade e tem acesso a uma rede nacional de hotéis, pousadas, chalés e mais, com cidades espalhadas pelo Brasil.
São até 50% em hospedagens selecionadas, conforme disponibilidade da rede credenciada, com planos a partir de R$ 99/mês. Assim você organiza a viagem com mais folga no bolso.
Quer conhecer a Paraíba gastando menos com hospedagem? Assine a Chesago e aproveite a rede toda 👉 /planos
Tem pousada ou hotel na Paraíba? Cadastre na Chesago e apareça pra quem está planejando a viagem 👉 /parceiros

